31.08.08

O Boavista tende a tornar-se mais uma obsessão. Nunca terá a dimensão de uma obsessão original que nasce no interior e só depois se exterioriza. Esta não me pertence mas vai-se interiorizando. É um processo engraçado. No início é puro gozo. Após algumas experiências começa a ganhar vida, leia-se criatividade. Aumenta o interesse e o espaço entranhado. Não sei como irá evoluir, mas talvez venha mesmo a tornar-se algo natural, leia-se simples. Não a reprimirei, pois sou mesmo obcecado.

publicado por José Oliveira às 22:01

30.08.08

Está ON.

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publicado por José Oliveira às 01:40

26.08.08

Depois dos Jogos Olímpicos, os sonos voltam ao normal e as refeições acontecem em horários e medidas aceitáveis. Volto a cumprimentar o Sol e deixo o meu corpo mais tempo na vertical. Volto aos lugares comuns e a alguns incomuns também. Virtudes das férias. Procuro sentir o pulso ao (meu) Mundo e acompanhar o ritmo. Daqui a umas semanas o ritmo vai aumentar e não terei tempo para sentir tudo isto. Pelo menos não o farei da mesma maneira.

 

Depois dos Jogos Olímpicos, o Tempo volta a ocupar Espaço. Tudo volta ao normal. E até o Mundo parece voltar a girar.

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publicado por José Oliveira às 00:38

21.08.08

"Não marco limites para mim. Sempre que salto, salto para o infinito. Salto o mais longe que eu puder. Salto até onde as minhas pernas me deixarem."

 

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As pernas deixaram-no ir até aos 17,67 metros e até à medalha de ouro. E levou Portugal com ele.

publicado por José Oliveira às 23:03

20.08.08

Demovido pelas decepções olímpicas, fui movido do ninho (do meu e do pássaro) para reviver momentos de Verões passados. As pessoas não mudaram muito, por isso, a mística mantém-se. Soube bem voltar a experimentá-la, mas, até Domingo, a mente está a Leste do que se passa por aqui.

 

De volta ao ninho (ao meu e ao do pássaro), tive o prazer de assistir a isto:

 

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Usain Bolt. Tal como Michael Phelps, este fenomenal atleta marca os Jogos Olímpicos. E ajuda a esquecer algumas prestações de alguns atletas Portugueses.

 

E depois do intervalo, estou de volta para mais quatro dias de desporto.

publicado por José Oliveira às 21:08

18.08.08

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publicado por José Oliveira às 06:54

17.08.08

200m Freestyle - 1:42,96 World Record

100m Butterfly - 50,58 Olympic Record

200m Butterfly - 1:52,03 World Record

200m Individual Medley - 1:54,23 World Record

400m Individual Medley - 4:03,84 World Record

4x100m Freestyle Relay - 3:08,24 World Record

4x200m Freestyle Relay - 6:58,56 World Record

4x100m Medley Relay - 3:29,34 World Record

 

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publicado por José Oliveira às 21:01

16.08.08

Um dia verdadeiramente desportivo. Raras são as vezes em que consigo pousar o comando por mais de dois minutos. RTP1, RTP2, RTPN, SPORTTV1, SPORTTV2, EUROSPORT. Não pára. Desde as 2h da manhã com Atletismo, Natação, Voleibol, Remo, Ténis e Atletismo de novo. Mais o início da Premier League, a etapa da Torre da Volta a Portugal, um apetecível África do Sul x Nova Zelândia no Torneio das Três Nações de Rugby, um explosivo EUA x Espanha no Torneio Olímpico de Basquetebol e, para finalizar (em grande, espero eu) a final da Supertaça com um Porto x Sporting.

 

Dia cansativo, simples e obcecado. O cansaço, tal como a criatividade, fica entregue aos atletas. A meu ver, não fica mal entregue. Para mim, simples e muito obcecado.  E amanhã há mais.

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publicado por José Oliveira às 14:50

14.08.08

Because you are the best a man can get.

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publicado por José Oliveira às 23:34

11.08.08

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Fantástico.

publicado por José Oliveira às 21:00

Tranquilidade. Animação. Jogo. Copo. Música. Dança. Petisco. Domingo como todos deviam ser. Festa. Família. Lugar para todos.

 

Mais uma vez, Vila Verde. Cada vez melhor. Com um novo sabor.

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publicado por José Oliveira às 00:19

09.08.08

Já começou o evento desportivo mais importante do Mundo. Não só pela dimensão desportiva e artística mas também pela dimensão social e de todos os valores representados pelas Olimpíadas.

 

 

Neste ano, os Jogos Olímpicos de Verão realizam-se num país onde alguns dos mais elementares direitos humanos não são respeitados por quem exerce o poder. Mas era importante (e conseguiu-se) não politizar este evento.

 

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Devido à minha paixão pelo desporto, serão três semanas super interessantes onde procurarei acompanhar bem de perto (tanto quanto me é possível) tudo o que se passa na China. Para além das expectativas em relação aos Jogos em geral, tenho também grandes expectativas em relação às prestações dos atletas Portugueses.

 

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A cerimónia de abertura foi genial, a melhor das três que tenho bem conservadas na memória. As competições estão prestes a começar e com elas começará também a emoção de ver os milhares de extraordinários atletas procurando superar-se. Porque o verdadeiro espírito olímpico não é ganhar uma medalha mas superar os próprios limites.

 

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Que comece a superação - Swifter, Higher, Stronger!

 

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publicado por José Oliveira às 01:11

08.08.08

Dia 13

Faltava pouco tempo para as 5 horas da manhã quando cheguei a Bordéus. Tinha um assunto para resolver: no comboio tinha comprado o bilhete Marselha-Bordéus por 10 euros mas paguei com uma nota de 100 euros que era a única forma de pagamento que tinha; como o revisor não tinha troco, deu-me um recibo que me possibilitaria levantar os 90 euros do troco na estação de Bordéus. Dirigi-me às informações (surpreendemente estavam abertas 24 horas/dia) e disseram-me que poderia levantar o dinheiro sem problemas na bilheteira. A bilheteira abria às 5 horas. Como já faltavam poucos minutos, fui para a beira dos guichets.

 

Abriram dois. Fui atendido por uma jovem que conseguia falar inglês pior do que eu e que dizia ser impossível devolver-me o dinheiro apresentando apenas aquele recibo. Obviamente não me conformei e voltei às informações. Felizmente não encontrei má vontade e em poucos minutos todo o escritório estava a tentar resolver o meu problema. Tranquilizou-me de certa forma mas ainda não tinha certezas de nada. Cerca de uma hora depois um dos homens pediu-me que o acompanhasse até à bilheteira. Aparentemente, tinham resolvido o problema e iam devolver-me o dinheiro. Fui de novo atendido pela mesma mulher que, sem grandes palavras, me devolveu os 90 euros. Não me dei ao trabalho de apresentar uma reclamação do serviço prestado por essa mulher mas merecia-o. Nem um pedido desculpas apresentou. Enfim.

 

Com tudo isto, já só faltava meia hora para o meu comboio com destino a Hendaye. Aproveitei uma ficha eléctrica numa parede da estação para carregar a bateria do telemóvel durante aquele tempo e, quando chegou a altura, fui para o comboio. A viagem não foi longa. O tempo de espera pelo comboio seguinte (que, curiosamente, seria aquele comboio que eu pretendia apanhar em Nice com destino a Irun e que estava completamente cheio) também não era muito mas ainda deu para escrever e enviar uns postais. Dez minutos depois de entrar no comboio seguinte, cheguei a Irun.

 

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Em Irun iria estar 2 horas. Tempo para dar uma volta e almoçar. Como não havia cacifos na estação tive de ir dar o meu último passeio do InterRail da mesma forma do primeiro - mochila grande às costas. Assim, o passeio não foi grande e voltei cedo à estação. Almocei e fiquei sentado no café à espera do meu último comboio com destino a Vitória.

 

Chegada a altura de entrar no comboio ainda tive oportunidade de experimentar uma situação um pouco invulgar. Todos os passageiros tinham de passar as suas malas por uma máquina de raio-x semelhante às que encontrámos nos aeroportos. Surpreendente mas compreensivo tendo em conta os constantes atentados da ETA tanto fora como dentro do País Basco. Passada essa situação, entrei no comboio e encostei-me a ouvir música. Fui acordado a maior parte do tempo até que, cerca de meia hora antes de chegar a Vitória, adormeci. Não tinha activado o despertador mas, com muita sorte, acordei exactamente na altura em que parámos em Vitória. Foi a última viagem de comboio.

 

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Apanhei um táxi para ir ter com o meu pai e, ao fim da tarde, voltámos para o Porto de carro tal como planeado. Duas paragens pelo meio das 7 horas de viagem e chegámos ao Porto.

 

Poderiam haver muitas mais histórias para contar, muitas mais viagens e experiências. Por vários motivos, a História do meu primeiro InterRail termina aqui. Esse facto não é necessariamente mau mas fez com que a vontade de voltar a fazer um InterRail aumentasse. É uma experiência bastante intensa e imensamente gratificante a nível pessoal. Seja sozinho, seja acompanhado, uma experiência a repetir. Free to explore.

publicado por José Oliveira às 23:26

Dia 12

 

 

Não acordei tão cedo como queria mas, ainda assim, acordei muito cedo. O objectivo do dia era gerir o tempo da melhor maneira possível e de forma a entrar no comboio nocturno de Nice até Irun. Saí do albergo em direcção à estação pouco depois de ter acordado. Fui pedir informações dos horários dos vários comboios e parti no primeiro comboio para Cuneo. Estive lá uma hora à espera do comboio para Ventimiglia. Foi lindíssimo percorrer as encostas dos Alpes. Nunca o outro lado da janela do comboio tinha sido tão fascinante. Esta viagem conseguiu exceder as expectativas.

 

Chegado a Ventimiglia era altura de mudar de comboio com destino a Monte Carlo. Tinha bastante curiosidade em conhecer a cidade mas tinha também uma preocupação: garantir lugar no comboio entre Nice e Irun. Ia perguntando em todas as estações que parava se era necessário reservar e, quando diziam que era, se era possível reservar um lugar. Nuns sítios diziam que era mas que já estava cheio. Noutros diziam que não era necessário reservar. Acreditava mais nos primeiros, por isso, a necessidade de chegar a Nice aumentava e a oportunidade de conhecer Monte Carlo tinha de ser desperdiçada. Segui para Nice. Outra viagem com paisagens fantásticas.

 

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Quando cheguei a Nice fui directo à bilheteira. Vinte minutos depois fui atendido. Comboio cheio. E todas as outras ligações que me pudessem interessar, estavam cheias também. Não me conformei e voltei para a fila. Fui atendido noutro guichet mas as respostas não mudaram. O mais longe que conseguia ir no sentido que desejava era até Marselha. Tive de me contentar e reservei lugar nesse comboio. Não sabia bem o que ia fazer em Marselha mas em Nice também não faria nada.

 

Faltava menos de uma hora. Aproveitei para lanchar e fui procurar o meu comboio. Nenhum tinha como destino Marselha. Na verdade, o comboio que me levaria até Marselha tinha como destino Nantes, bem no Norte de França. Entrei no comboio e, com ajuda de Portugal, comecei a planear uma forma de ir para além de Marselha. Pensei em vários esquemas um pouco arriscados mas acabei por encontrar uma solução bastante simples. Aproveitando a boa vontade do revisor, comprei um bilhete de Marselha até Bordéus a bordo do comboio e pude descansar.

 

Entretanto, enquanto o dia findava, fui planeando o dia seguinte que seria o último do InterRail. Bordéus-Hendaye-Irun-Vitória. Depois, carro até ao Porto. Tudo planeado. Relaxei. Adormeci. Se tivesse de dar um título a este dia seria, sem dúvida, o dia das viagens.

publicado por José Oliveira às 22:49

Dia 11

Agora estava por minha conta, por isso, tinha de ter cuidados redobrados com todas as minhas coisas. Para evitar que me roubassem os documentos e o dinheiro, dormi com a mochila pequena a servir de almofada. Para além disso, ainda pus despertador activo para me acordar 15 minutos antes de chegar a Veneza de forma a não ficar a dormir no comboio e me sujeitar a ficar sem a mochila grande. Correu tudo bem.

 

Tal como na outra vez, fui deixar a mochila grande aos cacifos e tratar da viagem para Turim de seguida. Tudo tratado, parti em direcção à Praça de São Marcos. Desta vez, optei por uma direcção diferente de forma a descobrir outra parte de Veneza. Foi engraçado descobri-la sozinho. Percebi que viajar sozinho também tem o seu encanto. Animei-me.

 

Depois de 40 minutos a andar, cheguei à Praça de São Marcos. Déjà vu. A fila para entrar na Basílica era enorme. Desta vez o problema era o tempo que tinha para estar em Veneza. O comboio era antes das 13h e já eram 11h. Para além do caminho de volta para a estação ainda tinha de ir ao supermercado comprar um dentífrico e alguma comida. Comecei a pensar em alternativas. A porta de saída não estava protegida por nenhum segurança e era ao lado de uma loja de pequenos artigos sobre a Basílica. Entrei. Já misturado na confusão, comecei a aproximar-me da porta que dava acesso ao interior da Basílica propriamente dito. Num momento em que ninguém estava a olhar para mim, entrei. Não foi muito bonito da minha parte mas era a minha única hipótese de ver a Basílica. E valeu a pena. Só não deu para fotografar o interior. Fica na memória.

 

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Estava na altura de voltar para a estação e, de todas as vezes em que vagueei por Veneza nas duas vezes que lá estive, essa foi a primeira vez que me perdi realmente. Mas é tão fácil alguém se perder como voltar a encontrar o caminho desejado. Foi isso que aconteceu. Ainda deu tempo para ir fazer as tais compras e chegar à estação trinta minutos antes da hora de partida do comboio. Foi uma manhã bastante agradável num sítio lindíssimo.

 

Comboio para Milão. Mudança. Comboio para Turim. Chegada a Turim ao final da tarde e dois problemas para resolver: marcar a viagem do dia seguinte e arranjar um hostel barato e perto da estação. O primeiro problema foi relativamente fácil de resolver. Quinze minutos numa fila e fui atendido. Não era preciso reserva para os comboios da manhã (Turim-Cuneo-Ventimiglia-Monte Carlo) nem me conseguiam reservar os comboios da noite (Monte Carlo-Nice-Irun). Tudo bem. Segui à procura do posto de turismo para arranjar um hostel. Encontrei. Estava fechado. Ia ser difícil resolver este problema sem esta ajuda.

 

Saí da estação e fui andando. Não sabia bem o que procurava porque dificilmente iria aparecer um hostel com uma publicidade grandiosa e chamativa. Tentei falar com outros "backpackers" mas eles procuravam parque de campismo. Não encontrava nenhuma solução digna desse nome, por isso, optei por ir a um hotel de algumas estrelas ali ao lado da estação. Claro que não ia ficar ali hospedado mas ainda arrisquei a perguntar o preço do quarto. 130€/noite. Expliquei-lhe a minha situação e perguntei se me podia ajudar. Fiquei espantado com a disponibilidade demonstrada. Esteve a procurar na net algo barato e perto da estação. Albergo San Carlo. 22€/noite. Deu-me todos os contactos e indicações. Agradeci imenso e saí.

 

Entretanto também tinha pedido ajuda em Portugal mas apenas serviu para concluir que não tinha grandes hipóteses. Cheguei ao Albergo San Carlo. O quarto mais barato que tinha custava 35€/noite. Os 22€/noite eram para quartos múltiplos e a política deles não permite que esses sejam ocupados por vários desconhecidos. Apenas para grupos de pessoas que se conheçam. Como 35€ era muito dinheiro para gastar numa só noite tentei que o preço baixasse. O máximo que consegui foi chegar aos 30€. Continuava a ser caro mas não tinha grande alternativa. Para além disso, estava cansado e a necessitar de um banho. Decidi ficar.

 

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Enquanto decidia, apareceu uma jovem Australiana (mais uma) que rapidamente se apresentou. Estivemos a conversar alguns minutos. Até num sítio onde só ia ficar uma noite fui conhecer uma Australiana. Impressionante.

 

Pousei as mochilas no quarto, tomei banho e fui pedir para cozinhar. Estava a precisar de jantar algo mais que sandes e fruta. Cozinhei, jantei e saí do quarto. Ainda era cedo e apetecia-me aproveitar as poucas horas que ia ficar em Turim. À saída do quarto encontrei de novo a jovem Australiana com uma amiga Francesa. Isobel e Bethsabée. Perguntaram-me onde ia e se queria companhia. Aceitei. Fomos os três passear por Turim.

 

Conversa, gelados, conversa, chuva, conversa, esplanada, conversa, martini, conversa, granizo, conversa. Foi uma noite muito engraçada e uma excelente prova de que viajar sozinho pode mesmo ser interessante. Mas estava na altura de voltar ao albergo porque tinha de acordar cedo no dia seguinte. Despedimo-nos e fui para o meu quarto. Arrumei tudo e deitei-me. A experiência só se valorizou com a mudança do dia anterior.

 

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publicado por José Oliveira às 20:57

Dia 10

Chegada à fronteira. Pediram os passaportes. Expliquei a situação e mostrei o papel da polícia. Tive de acompanhar o polícia e sair do comboio. Foi tudo tão rápido que deixei as minhas mochilas no compartimento. Quando me apercebi disso comecei a ficar bastante preocupado com o que ia acontecer. Pensava que o comboio ia partir e eu ia ficar ali na fronteira sem as minhas mochilas. Mas não. Tive de ir ao escritório da polícia, eles fotocopiaram o papel e desejaram-me boa viagem. Alívio. Finalmente.

 

Já em território Húngaro e muito mais relaxado, enviei a tal mensagem à secretária da Embaixada de Portugal em Belgrado e adormeci. Quando acordei já estávamos de novo em Budapeste. Desta vez, Budapeste serviu apenas como escala. Mudámos de comboio e seguimos para Viena.

 

Chegados a Viena era altura de retomar e finalizar a conversa iniciada no dia anterior. Não dava para continuar o InterRail com aquele ambiente tenso. Chegámos à conclusão que tínhamos perspectivas diferentes da forma de encarar as várias realidades. De certa forma, já esperava essa conclusão e já tinha pensado na atitude que deveria tomar caso ela se confirmasse. O melhor era separarmo-nos para que não deteriorássemos a nossa amizade. Dividimos as nossas coisas e despedimo-nos.

 

Depois de me recompôr e de pensar melhor no que iria fazer, decidi começar a regressar a Portugal aos poucos. A enorme motivação para andar a conhecer várias cidades esfriou-se com tudo o que tinha acontecido. O plano agora era voltar ao Norte de Itália, ir até Turim onde desceria até à fronteira de Itália com França junto à costa (Ventimiglia), ir a Monte Carlo e percorrer todo o Sul de França em direcção ao País Basco em Espanha onde me encontraria com o meu pai para voltar de carro para Portugal. O comboio seguinte era à noite com destino a Veneza. Iria nesse e tentaria desta vez ir visitar a Basílica de São Marcos. Até lá, Viena.

 

Deixei a mochila num cacifo e fui à procura do Ernst-Happel Stadium (o antigo Prater Stadium) onde o FCPorto foi Campeão Europeu pela primeira vez em 1987 frente ao Bayern Munique e onde se realizou recentemente a final do Euro 2008 entre a Espanha e a Alemanha. Havia certamente muitos mais locais interessantes para visitar em Viena mas o tempo e a disposição limitavam-me as opções e não podia desperdiçar a oportunidade de estar naquela cidade para o ir ver.

 

Fui de metro e, depois de uma volta ao estádio (sem pilhas na máquina fotográfica infelizmente) voltei de metro para a estação. Talvez outro estado de espírito me tivesse proporcionado uma visita mais interessante. Ainda assim, foi agradável.

 

De volta à estação fui buscar a mochila pois tinha lá todo o dinheiro. Almocei, tomei um banho incrivelmente refrescante, carreguei a bateria do telemóvel e relaxei bastante ao som da minha música enquanto esperava pela hora do comboio. Relaxar foi o acontecimento verdadeiramente importante nessa tarde. O comboio chegou, eu entrei e preparei o conforto para uma dezena de horas de sono. Antes de adormecer ainda tive de aguentar a conversa entre duas austríacas e o intenso e desagradável cheiro proveniente dos pés de dois australianos. Tudo ultrapassado, adormeci.

 

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publicado por José Oliveira às 17:44

Dia 9

Acordar cedo para arrumar as mochilas e ir à Embaixada. Desta vez fomos negociar com os taxistas à beira da estação para não termos de andar aquele tempo todo outra vez. Tivemos sorte. Vimos um taxista a dar conselhos a um turista. Fomos ter com ele e ficou combinado pagarmos o preço do taxímetro (pelo que percebi, isso não é propriamente uma norma). 500 dinares e cinco minutos a pé até à Embaixada.

 

Antes de ser realmente atendido ainda tive de fazer uma longa caminhada para ir tirar duas fotografias. Pelo menos desta vez foi a descer. Eles também tiveram de ir porque eu não tinha dinheiro suficiente mas foram de autocarro. Voltámos os três de autocarro e fui finalmente atendido. Para além das fotografias, dos meus dados e do papel da polícia ainda era preciso mais uma pequena quantia de dinheiro: 120 euros. Não cabia em mim de felicidade com esta grandiosa novidade. Obviamente perguntei que alternativas tinha. Só existia uma e teria de voltar a passar a noite em Belgrado. Título de viagem única. 10 euros.

 

Já estava na hora de fecho da Embaixada, por isso, tive de sair e ficar à espera de um telefonema com novidades. Assim fiz. Passados vinte minutos ligaram-me para voltar lá. Tive de explicar tudo o que se tinha passado à secretária da Embaixada. Depois disso, fui informalmente aconselhado a tentar sair do país para um da União Europeia (Hungria, Roménia ou Bulgária) apenas com o papel que a polícia me tinha dado. Parecia-me uma excelente solução pois podia sair de Belgrado à noite (sem ter de voltar a dormir lá) e evitava gastar dinheiro num novo documento. Mas poderia haver um problema. Se não me deixassem passar a fronteira teria de voltar para Belgrado. A secretária deu-me o número do seu telemóvel pessoal para eu lhe enviar uma mensagem com novas informações caso seguisse o conselho informal que tinha recebido. Agradeci e saí.

 

Fui ter com eles que tinham estado a conversar sobre o InterRail. Quiseram falar comigo sobre o que pensavam. Foi estranho para mim ouvir algumas coisas. No fim, falei. Disse tudo o que pensava e talvez também tenha sido estranho para eles ouvir algumas coisas. Mas era importante que ouvissem e pensassem sobre elas. O ambiente ficou um pouco tenso durante o resto do dia. Fomos à estação comprar um novo bilhete para mim, fomos lanchar, fomos buscar as mochilas ao hostel e voltámos para a estação. Destino: Budapeste novamente. Mas talvez só de passagem. Ou talvez nem lá chegasse. Dependia do que acontecesse na fronteira de madrugada. Entretanto, terminou mais um dia terrível.

publicado por José Oliveira às 12:10

Dia 8

A noite na estação não foi nada agradável. Para além de todo o nervosismo e intranquilidade causados pela perda do bilhete e do passaporte ainda tivemos a companhia de dois bebâdos que vaguearam pela estação durante boa parte da noite. Quando começou a amanhecer, acharam que seria boa altura para virem falar connosco. Dificilmente aquelas horas podiam ter sido psicologicamente mais desgastantes. Estava a ser difícil reagir de forma positiva a tudo o que se tinha passado e ainda tinha de aturar dois bêbados aos berros quando só me apetecia dormir.

 

Após várias tentativas de os afastar pelo diálogo, tirei a faca que tinha comigo e apontei-lhes em forma de ameaça. Não tencionava de maneira alguma efectivar a ameaça mas não os suportava mais. Mesmo assim, isso não foi suficiente para os afastar. Irritaram-se e entornaram um bocado de cerveja sobre as nossas coisas. Foi o pretexto perfeito para chamarmos a polícia e, aí sim, eles deixaram-nos em paz.

 

Depois de descansarmos um pouco, levantámo-nos para ir à Embaixada. Não conseguíamos chamar um taxi através dos nossos telemóveis e os taxis estacionados à beira da estação duplicavam o preço para os turistas. Solução: arriscar ir a pé. 1h15 depois, chegámos. Estourados. Para além do tempo que andámos, tivemos de ir por ruas que subiam imenso. Mas se depois desta longa e cansativa caminhada tivéssemos conseguido resolver o problema do passaporte, tudo bem. Só que não conseguimos. Era domingo. A Embaixada estava fechada. Horário de atendimento: de segunda a sexta-feira das 10h às 13h. Fantástico como tudo continuava a correr lindamente.

 

Voltámos para o centro da cidade de taxi e, desta vez, para ir ao departamento de estrangeiros da polícia. Finalmente alguém capaz de nos ajudar e em inglês. Tinha de apresentar queixa no posto da polícia na estação e, com o papel que eles me davam, ia à Embaixada tratar do passaporte. Claro que tudo isto só seria possível se alguém fizesse de tradutor entre os polícias da estação e a minha pessoa. A mulher que nos atendeu no departamento de estrangeiros aceitou fazê-lo.

 

Fomos para a estação, apresentei a queixa, deram-me o tal papel e estava na hora de arranjar um hostel para ficar a dormir já que só podíamos ir à Embaixada no dia seguinte. Hostel New Morning, 1050 dinares/noite, perto da estação, com internet grátis. Eu estava tão estourado que nem almocei nem tomei banho. Fui-me deitar e adormeci. Ainda acordei por volta das 18 horas mas não fiz absolutamente nada. Passadas algumas horas voltei a adormecer e foi assim que terminei o dia. Ainda bem. Estava tudo a ser bastante penoso e só queria sair daquela cidade, por isso, quanto mais dormisse, menos pensava em tudo o que se estava a passar.

publicado por José Oliveira às 11:53

Dia 7

Não muito depois de termos adormecido, fomos acordados pela revisora para mostrar os bilhetes e deixar entrar três rapazes com ar de Alemães. Foi bastante irritante pois, para além de nos ter acordado, agora teríamos de nos encolher e dormir sentados. Enfim. Nada a fazer.

 

Depois de uma noite nada bem passada onde nem vontade houve para conversar com os rapazes, chegámos a Belgrado. Íamos a dormir quando outros passageiros bateram à porta do compartimento para nos avisar que já tínhamos chegado. Foi, por isso, um acordar um pouco turbolento. Pegámos nas mochilas e saímos do comboio.

 

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O primeiro impacto não foi muito agradável. Cidade cinzenta, ambiente pesado, feio. Mas íamos lá passar um dia, por isso, não precisávamos de ficar apenas pela primeira impressão. Como o posto de informações ainda estava fechado (eram 7 horas da manhã), fomos à procura de um hotel onde pudéssemos obter ajuda em inglês de como chegar ao centro da cidade. Quinhentos metros depois encontrámos. O recepcionista já tinha estado na Figueira da Foz e até dizia umas palavras em Português. Foi muito prestável e arranjou-nos vários folhetos da cidade e um útil mapa.

 

Tendo tudo o que necessitávamos para conhecer a cidade, fomos em direcção ao centro (acompanhados por um cão rafeiro que fazia questão de não nos largar). Enquanto a cidade acordava, nós procurávamos um supermercado. Não estava fácil mas lá encontrámos. Não me apeteceu nada. Estava com vontade de tomar um pequeno-almoço diferente. Por isso, depois de eles acabarem de comer fomos à procura de um café.

 

Encontrámos um café agradável na principal rua de Belgrado. Esplanada. Café com leite e um pão com tudo aquilo que achei ter direito. Delicioso. Ficámos por ali mais de uma hora. A conta ia ser alta, por isso, tínhamos de aproveitar bem. Houve tempo para tudo menos para dormir (com alguma pena nossa). Se o empregado não viesse trazer a conta (com a clara intenção de fazer com que desaparecêssemos dali), acho que ficávamos por ali mais umas horas. Assim, paguei e saímos.

 

 

 

Fomos conhecer a Fortaleza de Belgrado que, apesar de não ser algo extraordinário, tinha uma vista bonita para o Danúbio para além dos vários tanques e outros elementos militares por ali espalhados. Quase à saída daquela zona, encontrámos um grupo de dança folclórica da Sérvia. Ficámos a ver. Giro. No fim, fui perguntar o nome da dança mas a resposta foi indecifrável. Ainda assim, deu para tirar uma foto com eles.

 

Como eles iam para o centro, fomos atrás deles. Belgrado não parecia ter muito para ver para além do que já tínhamos visto e de uma enorme Igreja Ortodoxa. A Igreja estava mais perto da estação, por isso, decidimos ir lá ao fim da tarde antes de voltarmos para a estação. Até lá, ficámos a passear no centro. Almoçámos tarde, descansámos um pouco e fomos ver a Igreja. O exterior era líndissimo mas o interior estava em reabilitação e poucas foram as partes que corresponderam às expectativas criadas pelo exterior.

 

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Saídos da Igreja, começámos a dirigir-nos para a estação mas ainda parámos no McDonalds para comer qualquer coisa e comprar algo para a viagem. Continuámos em direcção à estação. No caminho, vimos um prédio do exército que foi bombardeado pela NATO em 1999 e não foi reabilitado. Mesmo assim, uma parte mantém-se erguida.

 

Finalmente chegámos à estação. Estava estourado. Eles ainda foram a um mini-mercado mas eu fiquei na estação. Quando voltaram fomos procurar a linha do comboio para Sofia e entrámos. Faltava meia hora ainda. Comecei a arrumar as mochilas e, quando ia tirar o bilhete e o passaporte, reparei que não os tinha. Desgraça.

 

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Saí logo do comboio à procura de algo parecido com Perdidos e Achados porque o mais provável era ter deixado o bilhete e o passaporte no comboio de manhã. Terrível. Ou não falavam inglês ou não faziam ideia de onde poderia procurar. Não ia dar tempo para ir naquela comboio para Sofia, por isso, fui buscar as mochilas e avisá-los. Eles saíram comigo.

 

Nas últimas horas do dia andámos do posto da polícia para as informações, das informações para outro posto da polícia e ninguém nos conseguia dar mais informações do que aquelas que qualquer turista dispõe. Voltámos então para a estação. Mais valia passar a noite por lá e de manhã cedo tentar ir à Embaixada de Portugal. Que fim de dia. Terrível.

publicado por José Oliveira às 00:19

07.08.08

Dia 6

Foi complicado acordar cedo depois do dia anterior mas o check-out do hostel era até às 10 horas e tínhamos de fazer um esforço. Mesmo assim, já passava das 11 horas quando saímos do quarto. Entregámos as chaves e deixámos as mochilas numa divisão fechada que servia de cacifo. Fomos conhecer o resto da cidade.

 

A caminho do centro de Peste decidimos comprar um bilhete para o SightSeeing Tour. Havia imensas coisas por ver e só nos restava esse dia. Foi uma boa opção porque também deu para poupar o corpo. Assim, depois do pequeno-almoço fomos apanhar o autocarro ao lado da Elizabeth Bridge. Vimos o Parlamento que é lindíssimo por fora. Como só dava para entrar com marcação prévia nem tentámos ir lá. A paragem seguinte era na Sinagoga. Saímos. De fora, parecia brutal. Comprámos um bilhete que dava acesso ao Museu Judeu, ao cemitério e à Sinagoga.

 

Primeiro fomos ao Museu. A História e os costumes Judeus estavam espalhados pelas paredes. Mais acima, um andar dedicado à história da II Guerra Mundial do ponto de vista dos Judeus. Intenso, sem dúvida.

 

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Descemos até ao cemitério que pouco tinha para ver. Apenas um cemitério com alguns louvores especiais. Seguimos logo para a Sinagoga. Tivemos de colocar uma espécie de barretes (deve existir um termo correcto que defina aquilo mas eu desconheço) para poder entrar. Tal como por fora, o interior da Sinagoga era brutal. Hei-de voltar a uma mas com mais conhecimentos sobre a mesma.

 

Sinagoga vista, era altura de continuar. A paragem seguinte era perto da maior Igreja Católica Cristã da cidade - St. Stephens Cathedral. Fomos. Por causa de um casamento só algumas zonas da Catedral estavam disponíveis para visitar. Não foi uma desilusão mas também não me deixou deslumbrado. Era muito gira por fora mas relativamente normal por dentro.

 

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Seguindo, vimos o edifício da Ópera e a House of Terror (um museu com uma exposição do Comunismo). Passámos também na Heroes' Square e em algumas ruas e praças importantes de Peste. Decidimos não sair do autocarro pois nada nos interessava de grosso modo. O autocarro passou para o lado de Buda e levou-nos a uma zona que ainda não tínhamos conhecido. Parecia bastante interessante e, por isso, saímos.

 

Encontrámos um mini-mercado e aproveitámos para comprar algumas coisas para almoçar. Depois de almoçar fomos ver o Fisherman's Bastion e tirar umas fotos. Era uma zona pequena mas engraçada. Voltámos para a paragem do autocarro e terminámos o trajecto na mesma paragem em que tínhamos começado.

Gostei mais da parte de Buda por ser mais limpa e calma mas Peste parece-me "mais cidade" e tem zonas muito interessantes também. Talvez volte um dia.

 

 

 

Fomos até ao hostel buscar as mochilas. Voltámos para o centro de Peste para jantar. Restaurante SubWay. Uma boa sande e uma boa esplanada. Mais uma vez, Uno. Era preciso ficar no centro até perto da hora do comboio porque a zona da estação não era muito segura e o Uno foi o instrumento usado para ocupar o tempo.

 

Uma hora antes da hora de partida do comboio fomos apanhar o metro. Tinham-nos dito que não havia grande controle nos transportes públicos. Fiando-nos nisso, entrámos no metro sem pagar. À saída, azar. Revisor. Queria que pagássemos 6000 florins cada um. Dissemos que não tínhamos e ele disse que ia chamar a polícia. Nós explicámos que estávamos de saída da cidade e já não tínhamos florins e ele amortizou a multa. Também já podíamos pagar em euros. Parecia um autêntico vendedor indiano na forma como agia e nós os clientes a regatear o preço. Ridículo. Mas, pelos vistos, é assim que eles funcionam. No fim, pagámos 50€ pelos três e seguimos. Não foi agradável mas não podíamos ficar chateados. Era hora de apanhar o comboio para Belgrado. Entrámos, esticámo-nos e adormecemos.

publicado por José Oliveira às 22:06

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