05.10.10

"André Villas-Boas não quer ser uma cópia de Mourinho mas soube aprender o melhor do técnico do Real Madrid. O jovem técnico sabe exactamente o que precisa e como deve lá chegar. Ontem, em Guimarães, muitos consideraram que lhe tinha saltado a tampa com a eventualidade do primeiro jogo sem vencer, que finalmente se estava a ver o verdadeiro Villas-Boas com o aparecimento da primeira adversidade. Já as bicadas ao Benfica tinham sido vistas pela incapacidade de o técnico estar fechado no seu casulo no Dragão.

 

Villas-Boas está mais à frente do que isso. Vamos por partes. Recordemos a célebre expressão "quem não chora, não mama". Quando os pais têm um filho a chorar, a atenção aumenta necessariamente. Assim que começaram a surgir as críticas do Benfica à arbitragem, o clube da Luz tornou-se num bebé chorão. Mais do que isso, o Benfica fez de bebé chorão queixinhas. Deixou de ser apenas importante os lances em que eram prejudicados mas também os lances em que o FC Porto era beneficiado. E foi exactamente por isso que a 21 de Setembro, Rui Gomes da Silva, administrador da SAD do Benfica entrou em acção: "O nosso principal concorrente, o FC Porto, beneficiou de quatro penáltis não assinalados contra si. Recordo: Naval, Rio Ave, Sp. Braga e Nacional."

 

Villas-Boas não se meteu nos assuntos do Benfica, simplesmente reagiu às provocações. Villas-Boas é ponderado e, apesar de poder não ter declarações bonitas com uma visão romântica do futebol que deixou de fazer sentido há muitas décadas, tem um leque de habilidades para atenuar as situações. E foi isso que fez ontem em Guimarães. Se dois pais jovens têm dois bebés a chorar, a atenção vai ser repartida. Às lágrimas e ao choro da Luz, juntou-se agora o Dragão. Villas-Boas até pode acreditar que não foi prejudicado, que foi apenas um jogo infeliz, mas isso pouco importa. Acima de tudo era importante deixar uma posição bem vincada. Estar na frente com várias vitórias consecutivas não impede a equipa de protestar caso não vença.

 

E sejamos honestos: qual é o clube que não protesta quando é prejudicado? E, mais do que isso, alguém acredita que perde a legitimidade de protestar só porque anteriormente já possa ter sido beneficiado? Não é assim no FC Porto de Villas-Boas, não é assim no Benfica e não é assim no Sporting. Nem em qualquer outro clube. Português, pelo menos.

 

O técnico do FC Porto está sob fogo mas não se importa com isso. Tal como era Mourinho, tal como era Robson, o técnico quer, acima de tudo, defender o grupo de trabalho, defender os jogadores. E eles sentem-no. E se for preciso mais tarde, dão o dobro pelo treinador. Não foi ao acaso que Villas-Boas "decidiu" ser expulso no preciso momento em que Fucile foi para a rua por acumulação de amarelos. O uruguaio não se sentiu sozinho e os próprios jogadores devem ter sentido um estímulo adicional.

 

É bonito? Naturalmente que não. Mas Villas-Boas não está preocupado com questões estéticas, apenas com a eficácia. E aí, os números falam por si."

 

Rui Pedro Silva em ionline

 

publicado por José Oliveira às 20:10

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