02.08.10

publicado por José Oliveira às 19:54

08.08.08

Dia 13

Faltava pouco tempo para as 5 horas da manhã quando cheguei a Bordéus. Tinha um assunto para resolver: no comboio tinha comprado o bilhete Marselha-Bordéus por 10 euros mas paguei com uma nota de 100 euros que era a única forma de pagamento que tinha; como o revisor não tinha troco, deu-me um recibo que me possibilitaria levantar os 90 euros do troco na estação de Bordéus. Dirigi-me às informações (surpreendemente estavam abertas 24 horas/dia) e disseram-me que poderia levantar o dinheiro sem problemas na bilheteira. A bilheteira abria às 5 horas. Como já faltavam poucos minutos, fui para a beira dos guichets.

 

Abriram dois. Fui atendido por uma jovem que conseguia falar inglês pior do que eu e que dizia ser impossível devolver-me o dinheiro apresentando apenas aquele recibo. Obviamente não me conformei e voltei às informações. Felizmente não encontrei má vontade e em poucos minutos todo o escritório estava a tentar resolver o meu problema. Tranquilizou-me de certa forma mas ainda não tinha certezas de nada. Cerca de uma hora depois um dos homens pediu-me que o acompanhasse até à bilheteira. Aparentemente, tinham resolvido o problema e iam devolver-me o dinheiro. Fui de novo atendido pela mesma mulher que, sem grandes palavras, me devolveu os 90 euros. Não me dei ao trabalho de apresentar uma reclamação do serviço prestado por essa mulher mas merecia-o. Nem um pedido desculpas apresentou. Enfim.

 

Com tudo isto, já só faltava meia hora para o meu comboio com destino a Hendaye. Aproveitei uma ficha eléctrica numa parede da estação para carregar a bateria do telemóvel durante aquele tempo e, quando chegou a altura, fui para o comboio. A viagem não foi longa. O tempo de espera pelo comboio seguinte (que, curiosamente, seria aquele comboio que eu pretendia apanhar em Nice com destino a Irun e que estava completamente cheio) também não era muito mas ainda deu para escrever e enviar uns postais. Dez minutos depois de entrar no comboio seguinte, cheguei a Irun.

 

Image Hosted by ImageShack.us

 

Em Irun iria estar 2 horas. Tempo para dar uma volta e almoçar. Como não havia cacifos na estação tive de ir dar o meu último passeio do InterRail da mesma forma do primeiro - mochila grande às costas. Assim, o passeio não foi grande e voltei cedo à estação. Almocei e fiquei sentado no café à espera do meu último comboio com destino a Vitória.

 

Chegada a altura de entrar no comboio ainda tive oportunidade de experimentar uma situação um pouco invulgar. Todos os passageiros tinham de passar as suas malas por uma máquina de raio-x semelhante às que encontrámos nos aeroportos. Surpreendente mas compreensivo tendo em conta os constantes atentados da ETA tanto fora como dentro do País Basco. Passada essa situação, entrei no comboio e encostei-me a ouvir música. Fui acordado a maior parte do tempo até que, cerca de meia hora antes de chegar a Vitória, adormeci. Não tinha activado o despertador mas, com muita sorte, acordei exactamente na altura em que parámos em Vitória. Foi a última viagem de comboio.

 

Image Hosted by ImageShack.us

 

Apanhei um táxi para ir ter com o meu pai e, ao fim da tarde, voltámos para o Porto de carro tal como planeado. Duas paragens pelo meio das 7 horas de viagem e chegámos ao Porto.

 

Poderiam haver muitas mais histórias para contar, muitas mais viagens e experiências. Por vários motivos, a História do meu primeiro InterRail termina aqui. Esse facto não é necessariamente mau mas fez com que a vontade de voltar a fazer um InterRail aumentasse. É uma experiência bastante intensa e imensamente gratificante a nível pessoal. Seja sozinho, seja acompanhado, uma experiência a repetir. Free to explore.

publicado por José Oliveira às 23:26

Dia 12

 

 

Não acordei tão cedo como queria mas, ainda assim, acordei muito cedo. O objectivo do dia era gerir o tempo da melhor maneira possível e de forma a entrar no comboio nocturno de Nice até Irun. Saí do albergo em direcção à estação pouco depois de ter acordado. Fui pedir informações dos horários dos vários comboios e parti no primeiro comboio para Cuneo. Estive lá uma hora à espera do comboio para Ventimiglia. Foi lindíssimo percorrer as encostas dos Alpes. Nunca o outro lado da janela do comboio tinha sido tão fascinante. Esta viagem conseguiu exceder as expectativas.

 

Chegado a Ventimiglia era altura de mudar de comboio com destino a Monte Carlo. Tinha bastante curiosidade em conhecer a cidade mas tinha também uma preocupação: garantir lugar no comboio entre Nice e Irun. Ia perguntando em todas as estações que parava se era necessário reservar e, quando diziam que era, se era possível reservar um lugar. Nuns sítios diziam que era mas que já estava cheio. Noutros diziam que não era necessário reservar. Acreditava mais nos primeiros, por isso, a necessidade de chegar a Nice aumentava e a oportunidade de conhecer Monte Carlo tinha de ser desperdiçada. Segui para Nice. Outra viagem com paisagens fantásticas.

 

Image Hosted by ImageShack.us

 

Quando cheguei a Nice fui directo à bilheteira. Vinte minutos depois fui atendido. Comboio cheio. E todas as outras ligações que me pudessem interessar, estavam cheias também. Não me conformei e voltei para a fila. Fui atendido noutro guichet mas as respostas não mudaram. O mais longe que conseguia ir no sentido que desejava era até Marselha. Tive de me contentar e reservei lugar nesse comboio. Não sabia bem o que ia fazer em Marselha mas em Nice também não faria nada.

 

Faltava menos de uma hora. Aproveitei para lanchar e fui procurar o meu comboio. Nenhum tinha como destino Marselha. Na verdade, o comboio que me levaria até Marselha tinha como destino Nantes, bem no Norte de França. Entrei no comboio e, com ajuda de Portugal, comecei a planear uma forma de ir para além de Marselha. Pensei em vários esquemas um pouco arriscados mas acabei por encontrar uma solução bastante simples. Aproveitando a boa vontade do revisor, comprei um bilhete de Marselha até Bordéus a bordo do comboio e pude descansar.

 

Entretanto, enquanto o dia findava, fui planeando o dia seguinte que seria o último do InterRail. Bordéus-Hendaye-Irun-Vitória. Depois, carro até ao Porto. Tudo planeado. Relaxei. Adormeci. Se tivesse de dar um título a este dia seria, sem dúvida, o dia das viagens.

publicado por José Oliveira às 22:49

Dia 11

Agora estava por minha conta, por isso, tinha de ter cuidados redobrados com todas as minhas coisas. Para evitar que me roubassem os documentos e o dinheiro, dormi com a mochila pequena a servir de almofada. Para além disso, ainda pus despertador activo para me acordar 15 minutos antes de chegar a Veneza de forma a não ficar a dormir no comboio e me sujeitar a ficar sem a mochila grande. Correu tudo bem.

 

Tal como na outra vez, fui deixar a mochila grande aos cacifos e tratar da viagem para Turim de seguida. Tudo tratado, parti em direcção à Praça de São Marcos. Desta vez, optei por uma direcção diferente de forma a descobrir outra parte de Veneza. Foi engraçado descobri-la sozinho. Percebi que viajar sozinho também tem o seu encanto. Animei-me.

 

Depois de 40 minutos a andar, cheguei à Praça de São Marcos. Déjà vu. A fila para entrar na Basílica era enorme. Desta vez o problema era o tempo que tinha para estar em Veneza. O comboio era antes das 13h e já eram 11h. Para além do caminho de volta para a estação ainda tinha de ir ao supermercado comprar um dentífrico e alguma comida. Comecei a pensar em alternativas. A porta de saída não estava protegida por nenhum segurança e era ao lado de uma loja de pequenos artigos sobre a Basílica. Entrei. Já misturado na confusão, comecei a aproximar-me da porta que dava acesso ao interior da Basílica propriamente dito. Num momento em que ninguém estava a olhar para mim, entrei. Não foi muito bonito da minha parte mas era a minha única hipótese de ver a Basílica. E valeu a pena. Só não deu para fotografar o interior. Fica na memória.

 

Image Hosted by ImageShack.us

 

Estava na altura de voltar para a estação e, de todas as vezes em que vagueei por Veneza nas duas vezes que lá estive, essa foi a primeira vez que me perdi realmente. Mas é tão fácil alguém se perder como voltar a encontrar o caminho desejado. Foi isso que aconteceu. Ainda deu tempo para ir fazer as tais compras e chegar à estação trinta minutos antes da hora de partida do comboio. Foi uma manhã bastante agradável num sítio lindíssimo.

 

Comboio para Milão. Mudança. Comboio para Turim. Chegada a Turim ao final da tarde e dois problemas para resolver: marcar a viagem do dia seguinte e arranjar um hostel barato e perto da estação. O primeiro problema foi relativamente fácil de resolver. Quinze minutos numa fila e fui atendido. Não era preciso reserva para os comboios da manhã (Turim-Cuneo-Ventimiglia-Monte Carlo) nem me conseguiam reservar os comboios da noite (Monte Carlo-Nice-Irun). Tudo bem. Segui à procura do posto de turismo para arranjar um hostel. Encontrei. Estava fechado. Ia ser difícil resolver este problema sem esta ajuda.

 

Saí da estação e fui andando. Não sabia bem o que procurava porque dificilmente iria aparecer um hostel com uma publicidade grandiosa e chamativa. Tentei falar com outros "backpackers" mas eles procuravam parque de campismo. Não encontrava nenhuma solução digna desse nome, por isso, optei por ir a um hotel de algumas estrelas ali ao lado da estação. Claro que não ia ficar ali hospedado mas ainda arrisquei a perguntar o preço do quarto. 130€/noite. Expliquei-lhe a minha situação e perguntei se me podia ajudar. Fiquei espantado com a disponibilidade demonstrada. Esteve a procurar na net algo barato e perto da estação. Albergo San Carlo. 22€/noite. Deu-me todos os contactos e indicações. Agradeci imenso e saí.

 

Entretanto também tinha pedido ajuda em Portugal mas apenas serviu para concluir que não tinha grandes hipóteses. Cheguei ao Albergo San Carlo. O quarto mais barato que tinha custava 35€/noite. Os 22€/noite eram para quartos múltiplos e a política deles não permite que esses sejam ocupados por vários desconhecidos. Apenas para grupos de pessoas que se conheçam. Como 35€ era muito dinheiro para gastar numa só noite tentei que o preço baixasse. O máximo que consegui foi chegar aos 30€. Continuava a ser caro mas não tinha grande alternativa. Para além disso, estava cansado e a necessitar de um banho. Decidi ficar.

 

Image Hosted by ImageShack.us

 

Enquanto decidia, apareceu uma jovem Australiana (mais uma) que rapidamente se apresentou. Estivemos a conversar alguns minutos. Até num sítio onde só ia ficar uma noite fui conhecer uma Australiana. Impressionante.

 

Pousei as mochilas no quarto, tomei banho e fui pedir para cozinhar. Estava a precisar de jantar algo mais que sandes e fruta. Cozinhei, jantei e saí do quarto. Ainda era cedo e apetecia-me aproveitar as poucas horas que ia ficar em Turim. À saída do quarto encontrei de novo a jovem Australiana com uma amiga Francesa. Isobel e Bethsabée. Perguntaram-me onde ia e se queria companhia. Aceitei. Fomos os três passear por Turim.

 

Conversa, gelados, conversa, chuva, conversa, esplanada, conversa, martini, conversa, granizo, conversa. Foi uma noite muito engraçada e uma excelente prova de que viajar sozinho pode mesmo ser interessante. Mas estava na altura de voltar ao albergo porque tinha de acordar cedo no dia seguinte. Despedimo-nos e fui para o meu quarto. Arrumei tudo e deitei-me. A experiência só se valorizou com a mudança do dia anterior.

 

Image Hosted by ImageShack.us

publicado por José Oliveira às 20:57

Dia 10

Chegada à fronteira. Pediram os passaportes. Expliquei a situação e mostrei o papel da polícia. Tive de acompanhar o polícia e sair do comboio. Foi tudo tão rápido que deixei as minhas mochilas no compartimento. Quando me apercebi disso comecei a ficar bastante preocupado com o que ia acontecer. Pensava que o comboio ia partir e eu ia ficar ali na fronteira sem as minhas mochilas. Mas não. Tive de ir ao escritório da polícia, eles fotocopiaram o papel e desejaram-me boa viagem. Alívio. Finalmente.

 

Já em território Húngaro e muito mais relaxado, enviei a tal mensagem à secretária da Embaixada de Portugal em Belgrado e adormeci. Quando acordei já estávamos de novo em Budapeste. Desta vez, Budapeste serviu apenas como escala. Mudámos de comboio e seguimos para Viena.

 

Chegados a Viena era altura de retomar e finalizar a conversa iniciada no dia anterior. Não dava para continuar o InterRail com aquele ambiente tenso. Chegámos à conclusão que tínhamos perspectivas diferentes da forma de encarar as várias realidades. De certa forma, já esperava essa conclusão e já tinha pensado na atitude que deveria tomar caso ela se confirmasse. O melhor era separarmo-nos para que não deteriorássemos a nossa amizade. Dividimos as nossas coisas e despedimo-nos.

 

Depois de me recompôr e de pensar melhor no que iria fazer, decidi começar a regressar a Portugal aos poucos. A enorme motivação para andar a conhecer várias cidades esfriou-se com tudo o que tinha acontecido. O plano agora era voltar ao Norte de Itália, ir até Turim onde desceria até à fronteira de Itália com França junto à costa (Ventimiglia), ir a Monte Carlo e percorrer todo o Sul de França em direcção ao País Basco em Espanha onde me encontraria com o meu pai para voltar de carro para Portugal. O comboio seguinte era à noite com destino a Veneza. Iria nesse e tentaria desta vez ir visitar a Basílica de São Marcos. Até lá, Viena.

 

Deixei a mochila num cacifo e fui à procura do Ernst-Happel Stadium (o antigo Prater Stadium) onde o FCPorto foi Campeão Europeu pela primeira vez em 1987 frente ao Bayern Munique e onde se realizou recentemente a final do Euro 2008 entre a Espanha e a Alemanha. Havia certamente muitos mais locais interessantes para visitar em Viena mas o tempo e a disposição limitavam-me as opções e não podia desperdiçar a oportunidade de estar naquela cidade para o ir ver.

 

Fui de metro e, depois de uma volta ao estádio (sem pilhas na máquina fotográfica infelizmente) voltei de metro para a estação. Talvez outro estado de espírito me tivesse proporcionado uma visita mais interessante. Ainda assim, foi agradável.

 

De volta à estação fui buscar a mochila pois tinha lá todo o dinheiro. Almocei, tomei um banho incrivelmente refrescante, carreguei a bateria do telemóvel e relaxei bastante ao som da minha música enquanto esperava pela hora do comboio. Relaxar foi o acontecimento verdadeiramente importante nessa tarde. O comboio chegou, eu entrei e preparei o conforto para uma dezena de horas de sono. Antes de adormecer ainda tive de aguentar a conversa entre duas austríacas e o intenso e desagradável cheiro proveniente dos pés de dois australianos. Tudo ultrapassado, adormeci.

 

Image Hosted by ImageShack.us

publicado por José Oliveira às 17:44

Dia 9

Acordar cedo para arrumar as mochilas e ir à Embaixada. Desta vez fomos negociar com os taxistas à beira da estação para não termos de andar aquele tempo todo outra vez. Tivemos sorte. Vimos um taxista a dar conselhos a um turista. Fomos ter com ele e ficou combinado pagarmos o preço do taxímetro (pelo que percebi, isso não é propriamente uma norma). 500 dinares e cinco minutos a pé até à Embaixada.

 

Antes de ser realmente atendido ainda tive de fazer uma longa caminhada para ir tirar duas fotografias. Pelo menos desta vez foi a descer. Eles também tiveram de ir porque eu não tinha dinheiro suficiente mas foram de autocarro. Voltámos os três de autocarro e fui finalmente atendido. Para além das fotografias, dos meus dados e do papel da polícia ainda era preciso mais uma pequena quantia de dinheiro: 120 euros. Não cabia em mim de felicidade com esta grandiosa novidade. Obviamente perguntei que alternativas tinha. Só existia uma e teria de voltar a passar a noite em Belgrado. Título de viagem única. 10 euros.

 

Já estava na hora de fecho da Embaixada, por isso, tive de sair e ficar à espera de um telefonema com novidades. Assim fiz. Passados vinte minutos ligaram-me para voltar lá. Tive de explicar tudo o que se tinha passado à secretária da Embaixada. Depois disso, fui informalmente aconselhado a tentar sair do país para um da União Europeia (Hungria, Roménia ou Bulgária) apenas com o papel que a polícia me tinha dado. Parecia-me uma excelente solução pois podia sair de Belgrado à noite (sem ter de voltar a dormir lá) e evitava gastar dinheiro num novo documento. Mas poderia haver um problema. Se não me deixassem passar a fronteira teria de voltar para Belgrado. A secretária deu-me o número do seu telemóvel pessoal para eu lhe enviar uma mensagem com novas informações caso seguisse o conselho informal que tinha recebido. Agradeci e saí.

 

Fui ter com eles que tinham estado a conversar sobre o InterRail. Quiseram falar comigo sobre o que pensavam. Foi estranho para mim ouvir algumas coisas. No fim, falei. Disse tudo o que pensava e talvez também tenha sido estranho para eles ouvir algumas coisas. Mas era importante que ouvissem e pensassem sobre elas. O ambiente ficou um pouco tenso durante o resto do dia. Fomos à estação comprar um novo bilhete para mim, fomos lanchar, fomos buscar as mochilas ao hostel e voltámos para a estação. Destino: Budapeste novamente. Mas talvez só de passagem. Ou talvez nem lá chegasse. Dependia do que acontecesse na fronteira de madrugada. Entretanto, terminou mais um dia terrível.

publicado por José Oliveira às 12:10

Dia 8

A noite na estação não foi nada agradável. Para além de todo o nervosismo e intranquilidade causados pela perda do bilhete e do passaporte ainda tivemos a companhia de dois bebâdos que vaguearam pela estação durante boa parte da noite. Quando começou a amanhecer, acharam que seria boa altura para virem falar connosco. Dificilmente aquelas horas podiam ter sido psicologicamente mais desgastantes. Estava a ser difícil reagir de forma positiva a tudo o que se tinha passado e ainda tinha de aturar dois bêbados aos berros quando só me apetecia dormir.

 

Após várias tentativas de os afastar pelo diálogo, tirei a faca que tinha comigo e apontei-lhes em forma de ameaça. Não tencionava de maneira alguma efectivar a ameaça mas não os suportava mais. Mesmo assim, isso não foi suficiente para os afastar. Irritaram-se e entornaram um bocado de cerveja sobre as nossas coisas. Foi o pretexto perfeito para chamarmos a polícia e, aí sim, eles deixaram-nos em paz.

 

Depois de descansarmos um pouco, levantámo-nos para ir à Embaixada. Não conseguíamos chamar um taxi através dos nossos telemóveis e os taxis estacionados à beira da estação duplicavam o preço para os turistas. Solução: arriscar ir a pé. 1h15 depois, chegámos. Estourados. Para além do tempo que andámos, tivemos de ir por ruas que subiam imenso. Mas se depois desta longa e cansativa caminhada tivéssemos conseguido resolver o problema do passaporte, tudo bem. Só que não conseguimos. Era domingo. A Embaixada estava fechada. Horário de atendimento: de segunda a sexta-feira das 10h às 13h. Fantástico como tudo continuava a correr lindamente.

 

Voltámos para o centro da cidade de taxi e, desta vez, para ir ao departamento de estrangeiros da polícia. Finalmente alguém capaz de nos ajudar e em inglês. Tinha de apresentar queixa no posto da polícia na estação e, com o papel que eles me davam, ia à Embaixada tratar do passaporte. Claro que tudo isto só seria possível se alguém fizesse de tradutor entre os polícias da estação e a minha pessoa. A mulher que nos atendeu no departamento de estrangeiros aceitou fazê-lo.

 

Fomos para a estação, apresentei a queixa, deram-me o tal papel e estava na hora de arranjar um hostel para ficar a dormir já que só podíamos ir à Embaixada no dia seguinte. Hostel New Morning, 1050 dinares/noite, perto da estação, com internet grátis. Eu estava tão estourado que nem almocei nem tomei banho. Fui-me deitar e adormeci. Ainda acordei por volta das 18 horas mas não fiz absolutamente nada. Passadas algumas horas voltei a adormecer e foi assim que terminei o dia. Ainda bem. Estava tudo a ser bastante penoso e só queria sair daquela cidade, por isso, quanto mais dormisse, menos pensava em tudo o que se estava a passar.

publicado por José Oliveira às 11:53

Dia 7

Não muito depois de termos adormecido, fomos acordados pela revisora para mostrar os bilhetes e deixar entrar três rapazes com ar de Alemães. Foi bastante irritante pois, para além de nos ter acordado, agora teríamos de nos encolher e dormir sentados. Enfim. Nada a fazer.

 

Depois de uma noite nada bem passada onde nem vontade houve para conversar com os rapazes, chegámos a Belgrado. Íamos a dormir quando outros passageiros bateram à porta do compartimento para nos avisar que já tínhamos chegado. Foi, por isso, um acordar um pouco turbolento. Pegámos nas mochilas e saímos do comboio.

 

Image Hosted by ImageShack.us

 

O primeiro impacto não foi muito agradável. Cidade cinzenta, ambiente pesado, feio. Mas íamos lá passar um dia, por isso, não precisávamos de ficar apenas pela primeira impressão. Como o posto de informações ainda estava fechado (eram 7 horas da manhã), fomos à procura de um hotel onde pudéssemos obter ajuda em inglês de como chegar ao centro da cidade. Quinhentos metros depois encontrámos. O recepcionista já tinha estado na Figueira da Foz e até dizia umas palavras em Português. Foi muito prestável e arranjou-nos vários folhetos da cidade e um útil mapa.

 

Tendo tudo o que necessitávamos para conhecer a cidade, fomos em direcção ao centro (acompanhados por um cão rafeiro que fazia questão de não nos largar). Enquanto a cidade acordava, nós procurávamos um supermercado. Não estava fácil mas lá encontrámos. Não me apeteceu nada. Estava com vontade de tomar um pequeno-almoço diferente. Por isso, depois de eles acabarem de comer fomos à procura de um café.

 

Encontrámos um café agradável na principal rua de Belgrado. Esplanada. Café com leite e um pão com tudo aquilo que achei ter direito. Delicioso. Ficámos por ali mais de uma hora. A conta ia ser alta, por isso, tínhamos de aproveitar bem. Houve tempo para tudo menos para dormir (com alguma pena nossa). Se o empregado não viesse trazer a conta (com a clara intenção de fazer com que desaparecêssemos dali), acho que ficávamos por ali mais umas horas. Assim, paguei e saímos.

 

 

 

Fomos conhecer a Fortaleza de Belgrado que, apesar de não ser algo extraordinário, tinha uma vista bonita para o Danúbio para além dos vários tanques e outros elementos militares por ali espalhados. Quase à saída daquela zona, encontrámos um grupo de dança folclórica da Sérvia. Ficámos a ver. Giro. No fim, fui perguntar o nome da dança mas a resposta foi indecifrável. Ainda assim, deu para tirar uma foto com eles.

 

Como eles iam para o centro, fomos atrás deles. Belgrado não parecia ter muito para ver para além do que já tínhamos visto e de uma enorme Igreja Ortodoxa. A Igreja estava mais perto da estação, por isso, decidimos ir lá ao fim da tarde antes de voltarmos para a estação. Até lá, ficámos a passear no centro. Almoçámos tarde, descansámos um pouco e fomos ver a Igreja. O exterior era líndissimo mas o interior estava em reabilitação e poucas foram as partes que corresponderam às expectativas criadas pelo exterior.

 

Image Hosted by ImageShack.us

 

Saídos da Igreja, começámos a dirigir-nos para a estação mas ainda parámos no McDonalds para comer qualquer coisa e comprar algo para a viagem. Continuámos em direcção à estação. No caminho, vimos um prédio do exército que foi bombardeado pela NATO em 1999 e não foi reabilitado. Mesmo assim, uma parte mantém-se erguida.

 

Finalmente chegámos à estação. Estava estourado. Eles ainda foram a um mini-mercado mas eu fiquei na estação. Quando voltaram fomos procurar a linha do comboio para Sofia e entrámos. Faltava meia hora ainda. Comecei a arrumar as mochilas e, quando ia tirar o bilhete e o passaporte, reparei que não os tinha. Desgraça.

 

Image Hosted by ImageShack.us

 

Saí logo do comboio à procura de algo parecido com Perdidos e Achados porque o mais provável era ter deixado o bilhete e o passaporte no comboio de manhã. Terrível. Ou não falavam inglês ou não faziam ideia de onde poderia procurar. Não ia dar tempo para ir naquela comboio para Sofia, por isso, fui buscar as mochilas e avisá-los. Eles saíram comigo.

 

Nas últimas horas do dia andámos do posto da polícia para as informações, das informações para outro posto da polícia e ninguém nos conseguia dar mais informações do que aquelas que qualquer turista dispõe. Voltámos então para a estação. Mais valia passar a noite por lá e de manhã cedo tentar ir à Embaixada de Portugal. Que fim de dia. Terrível.

publicado por José Oliveira às 00:19

07.08.08

Dia 6

Foi complicado acordar cedo depois do dia anterior mas o check-out do hostel era até às 10 horas e tínhamos de fazer um esforço. Mesmo assim, já passava das 11 horas quando saímos do quarto. Entregámos as chaves e deixámos as mochilas numa divisão fechada que servia de cacifo. Fomos conhecer o resto da cidade.

 

A caminho do centro de Peste decidimos comprar um bilhete para o SightSeeing Tour. Havia imensas coisas por ver e só nos restava esse dia. Foi uma boa opção porque também deu para poupar o corpo. Assim, depois do pequeno-almoço fomos apanhar o autocarro ao lado da Elizabeth Bridge. Vimos o Parlamento que é lindíssimo por fora. Como só dava para entrar com marcação prévia nem tentámos ir lá. A paragem seguinte era na Sinagoga. Saímos. De fora, parecia brutal. Comprámos um bilhete que dava acesso ao Museu Judeu, ao cemitério e à Sinagoga.

 

Primeiro fomos ao Museu. A História e os costumes Judeus estavam espalhados pelas paredes. Mais acima, um andar dedicado à história da II Guerra Mundial do ponto de vista dos Judeus. Intenso, sem dúvida.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Descemos até ao cemitério que pouco tinha para ver. Apenas um cemitério com alguns louvores especiais. Seguimos logo para a Sinagoga. Tivemos de colocar uma espécie de barretes (deve existir um termo correcto que defina aquilo mas eu desconheço) para poder entrar. Tal como por fora, o interior da Sinagoga era brutal. Hei-de voltar a uma mas com mais conhecimentos sobre a mesma.

 

Sinagoga vista, era altura de continuar. A paragem seguinte era perto da maior Igreja Católica Cristã da cidade - St. Stephens Cathedral. Fomos. Por causa de um casamento só algumas zonas da Catedral estavam disponíveis para visitar. Não foi uma desilusão mas também não me deixou deslumbrado. Era muito gira por fora mas relativamente normal por dentro.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Seguindo, vimos o edifício da Ópera e a House of Terror (um museu com uma exposição do Comunismo). Passámos também na Heroes' Square e em algumas ruas e praças importantes de Peste. Decidimos não sair do autocarro pois nada nos interessava de grosso modo. O autocarro passou para o lado de Buda e levou-nos a uma zona que ainda não tínhamos conhecido. Parecia bastante interessante e, por isso, saímos.

 

Encontrámos um mini-mercado e aproveitámos para comprar algumas coisas para almoçar. Depois de almoçar fomos ver o Fisherman's Bastion e tirar umas fotos. Era uma zona pequena mas engraçada. Voltámos para a paragem do autocarro e terminámos o trajecto na mesma paragem em que tínhamos começado.

Gostei mais da parte de Buda por ser mais limpa e calma mas Peste parece-me "mais cidade" e tem zonas muito interessantes também. Talvez volte um dia.

 

 

 

Fomos até ao hostel buscar as mochilas. Voltámos para o centro de Peste para jantar. Restaurante SubWay. Uma boa sande e uma boa esplanada. Mais uma vez, Uno. Era preciso ficar no centro até perto da hora do comboio porque a zona da estação não era muito segura e o Uno foi o instrumento usado para ocupar o tempo.

 

Uma hora antes da hora de partida do comboio fomos apanhar o metro. Tinham-nos dito que não havia grande controle nos transportes públicos. Fiando-nos nisso, entrámos no metro sem pagar. À saída, azar. Revisor. Queria que pagássemos 6000 florins cada um. Dissemos que não tínhamos e ele disse que ia chamar a polícia. Nós explicámos que estávamos de saída da cidade e já não tínhamos florins e ele amortizou a multa. Também já podíamos pagar em euros. Parecia um autêntico vendedor indiano na forma como agia e nós os clientes a regatear o preço. Ridículo. Mas, pelos vistos, é assim que eles funcionam. No fim, pagámos 50€ pelos três e seguimos. Não foi agradável mas não podíamos ficar chateados. Era hora de apanhar o comboio para Belgrado. Entrámos, esticámo-nos e adormecemos.

publicado por José Oliveira às 22:06

Dia 5

Como a viagem era longa até Budapeste e não existiam lugares marcados, a primeira coisa a fazer depois de entrarmos no comboio era a escolha de um compartimento livre ou com o mínimo de pessoas possível. Livre já não encontrámos porque o comboio vinha de Veneza. Encontrámos um em que só vinha uma mulher. Entrámos. Serah, Australiana, 20 e alguns anos, professora de Inglês, a viajar pelo Mundo há 6 meses. Traduzindo isto em assuntos de conversa: infinitos.

 

Fui perdendo a noção do tempo que a conversa durava. Tudo porque a conversa de circunstância se foi transformando numa dinâmica troca de culturas. É este tipo de coisas que torna um conjunto de viagens para vários lugares numa experiência inesquecível. O único problema desta viagem de comboio foi o sono. A vontade de prolongar a conversa não lhe conseguiu resistir e tivemos de fechar os olhos por umas horas.

 

Novamente acordados e quase a chegar a Budapeste, uma guia turística bateu à porta do compartimento. Queria saber se precisávamos de alguma informação da cidade. Hostel. A Serah já tinha reservado pela internet mas nós não. Pedimos informações. A prontidão com que nos sugeriu um hostel em mais de 20 localizados num pequeno mapa fez-nos desconfiar um pouco da sua boa vontade. Ficámos de pensar. Aproveitámos esse tempo para perguntar à Serah informações sobre o hostel dela. Parecia-nos uma boa solução, por isso, tentámos evitar a guia à saída do comboio para ir ver o hostel da Serah que era mesmo à beira da estação.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Depois de vários esquemas falhados para a evitar, lá conseguimos sair da estação e fomos ver o hostel. Decepção. Era uma casa no terceiro ou quarto andar de um bloco de prédios de aspecto nada agradável. Lá dentro, era uma autêntica casa de vários amigos. Parecia-nos um risco lá ficar. Não arriscámos. Despedimo-nos da Serah e voltámos à estação para aceitar a sugestão da guia. Mini-bus gratuito até ao hostel e 2800 florins por uma noite. Seguimos.

 

Chegados ao hostel, pousámos as mochilas, tratámos da higiene necessária e fomos conhecer Buda. Atravessámos a Independence Bridge e o primeiro local de interesse em Buda era a Citadella. A motivação para conhecer era muita mas, dois minutos depois de começarmos a subir, a motivação tomou o caminho inverso. Mesmo assim, ainda foi suficiente para chegar bem lá acima. Vistas fantásticas da cidade e das pontes sobre o Danúbio. Acabámos por não entrar na Citadella para poupar dinheiro, tempo e as pernas também.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Descemos por outro caminho, agora em direcção à zona do Castelo onde estavam dois museus e o Palácio Real. Não foi fácil lá chegar porque, para além do cansaço, não nos estávamos a entender muito bem com os mapas. Passado aquilo que nos pareceu uma eternidade de tempo, lá chegámos. O cansaço, o acinzentar do céu e a hora tardia não nos deixaram apreciar da melhor forma toda a zona. Tirámos umas fotos e viemos embora.

 

Quando descíamos em direcção à Chain Bridge para voltar a Peste e regressar ao hostel, começou a chover. Eu estava de t-shirt. Terrível. Como ainda estávamos longe do hostel, decidimos ir de eléctrico. Quando saímos já não chovia. Óptimo. Ainda tínhamos de comprar algumas coisas para o jantar. Fomos a um mini-mercado ali perto e encontrámos algo para animar a nossa noite. Sangria. Não tinha grande aspecto mas isso não foi problema. Comprámos.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Já no hostel, a cama mais parecia um tesouro. O cansaço era mesmo muito. Deitei-me. Adormeci. Quando acordei já eram 22h30 e eles estavam a dormir. Também tinham adormecido porque as compras para o jantar estavam intactas. Decidi acordá-los. Se não aproveitássemos aquela noite para beber a sangria, íamos desperdiçá-la. Eles reagiram bem e fomos cozinhar. A noite terminou de forma alegre mas ainda cansada.

publicado por José Oliveira às 20:57

Dia 4

Acordar. Banho. Fechar mochilas. Sair. Como não acordámos tão cedo como queríamos, chegámos à estação mesmo em cima da hora do comboio. Mas não o perdemos.

 

Duas horas até Ljubljana. Desta vez não era preciso mudar de comboio para lá chegar mas se adormecêssemos íamos até Munique. Não adormecemos e passavam poucos minutos das 10 horas da manhã quando chegámos a Ljubljana.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Já de mapa na mão e pequeno-almoço tomado fomos até ao centro da cidade onde vimos a Red Church, a Triple Bridge e o Town Hall. Daí, dirigimo-nos para a longa e cansativa subida até ao Castelo que não era tão espectacular como esperava mas que tinha uma bonita vista da cidade.

 

Voltando para o centro, altura de almoçar. McDonalds pela primeira vez. Depois, mais uma visita. Só lá íamos estar até à noite, tínhamos de aproveitar.

 

A meio da tarde chegámos à conclusão que o tempo que nos restava era mais que suficiente para acabar de conhecer a cidade. Se Zagreb já não tinha grande ar de capital europeia, Ljubljana muito menos. Tem todo o aspecto de uma cidade de segunda dimensão como Guimarães ou Braga. Mas, tal como essas, é uma cidade bonita.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Ao fim da tarde voltámos para a estação. Queríamos jantar antes de irmos para Belgrado. Só que, entretanto, um telefonema de Portugal fez-nos repensar o destino. Disseram-nos que seria uma pena estar naquela zona da Europa e não ir a Budapeste. Com esse telefonema, deixei de ser o único a querer ir lá. Faltava apenas conseguir reorganizar o trajecto de forma a encaixar dois dias em Budapeste. Pensámos, conseguimos, mudámos. Em vez de partirmos às 21 horas e algo, partíamos só às 2 horas da manhã. Tudo bem. Ficámos pela estação a jogar Uno (que já se tornava um clássico do InterRail) e a gastar temas de conversa.

 

Assim terminou o nosso dia onde também aconteceu uma pequena discussão entre os três. Mas tudo resolvido. Siga para Budapeste.

 

publicado por José Oliveira às 19:12

Dia 3

Treze horas de sono. Foi assim que começou o nosso dia. Foram tão deliciosas como necessárias. Sem grandes preguiças, arranjámo-nos, tomámos o pequeno-almoço e fomos conhecer a zona histórica da cidade. Deixa a impressão de estarmos a passear no centro de uma vila e não de uma capital europeia. Ficámos sem bateria na máquina fotográfica não muito depois de termos começado a andar. Uma pena. Mas não foi isso que nos impediu de aproveitar a tarde um pouco chuvosa.

 

Image Hosted by ImageShack.us

À noite jantámos e descemos até à zona de convívio. Enquanto eu estava na internet, eles convidaram umas Dinamarquesas para jogar Uno. Elas iam para Veneza nessa noite mas ainda faltavam duas horas para o comboio delas e ficámos a jogar e a conversar com elas. Divertido. Quando elas precisaram de ir para a estação fomos com elas pois queríamos mais informações sobre o comboio que iríamos apanhar no dia seguinte (Ljubljana-Belgrado). Ainda faltava algum tempo para o comboio delas, por isso, ainda jogámos mais Uno, desta vez na estação.



 

Elas foram embora, nós tratámos das nossas coisas e voltámos ao hostel para arrumar as mochilas e dormir já que no dia seguinte saíamos cedo para Ljubljana. Nothing further.

 

publicado por José Oliveira às 18:44

06.08.08

Dia 2

Queríamos passar a noite em viagem para poupar dinheiro em alojamento. Um comboio directo entre Veneza e Ljubljana demorava pouco mais de quatro horas (insuficiente para ocupar a noite inteira), por isso, escolhemos um trajecto mais longo (e também um pouco estranho). Então, o plano era o seguinte: um comboio de Veneza até Villach (sudoeste da Áustria) onde mudaríamos para outro até Jesenice (fronteira da Eslovénia com a Áustria) e onde, finalmente, mudaríamos para um com destino a Ljubljana.

 

Muito bem. Entrámos no primeiro comboio. Quando descobrimentos o nosso compartimento vimos que íamos partilhar o mesmo com uma jovem Asiática. Era a nossa primeira oportunidade para conhecer outra experiência, outra cultura, etc. Não hesitámos. Logo depois de arrumarmos as mochilas e nos acomodarmos, começámos a conversar com a rapariga. Não consegui perceber o nome dela mas, ainda assim, deu para manter uma conversa interessante e animada.

 

Já tinha estado em Portugal (foi lá que começou o InterRail) e foi engraçado ouvi-la falar sobre o nosso país. Conseguimos os contactos de dois hotéis em Roma e Florença que nos poderiam vir a ser úteis na última semana de viagem. A conversa continuava divertida quando chegou mais uma pessoa ao compartimento. Tinha ar de pedófilo. Tentámos não o inserir na conversa mas sem sucesso. Ele inseriu-se. Era Austríaco e vivia em Graz. Como ninguém lhe perguntou o nome, ele não se identificou. A conversa continuou interessante até que os assuntos acabaram. Deviam ser 3 horas da manhã. Adormecemos.

 

Como tínhamos de mudar de comboio em Villach às 4h15, o previsível aconteceu: não acordámos a tempo. Eram quase 7 horas quando fomos acordados pelo revisor e saímos finalmente daquele comboio em Bruck a/d Mur (uma terra já perto de Viena). Fantástico.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Era preciso encontrar uma nova forma de chegar a Ljubljana. Fomos informar-nos da ligação seguinte. Tínhamos de apanhar dois comboios. O primeiro tinha destino a Zagreb e saía de Bruck a/d Mur às 8 horas. Íamos nesse e em Sevnica mudávamos para outro com destino a Ljubljana. Ficámos então, cerca de uma hora, à espera na estação. Notava-se bem a diferença da Itália para a Áustria. Adiante. Entrámos no primeiro comboio e encostámo-nos. Quando estávamos quase a chegar a Sevnica, levantámo-nos, pegámos nas mochilas e, quando íamos abrir a porta para sair, o comboio arrancou. Tínhamos de esquecer Ljubljana por enquanto. Afinal, o destino seguinte era Zagreb.

 

Chegados a Zagreb tivemos de trocar dinheiro e de procurar um hostel para ficar. Segundo o posto de turismo, existia um hostel barato perto da Estação. Fomos e lá ficámos. Cerca de 16€ por noite.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Depois de estarmos instalados chegou o momento esperado desde o início da viagem: o banho. Foi refrescante o suficiente para ir dar uma volta pela cidade. Não fosse a chuva e o passeio tinha sido ainda mais interessante. Ainda assim, foi agradável. E deu ainda para descobrirmos uma nova paixão: fontes. Para quem são todas aquelas moedas que as pessoas atiram para lá? Pensámos que poderiam ser para três jovens a viajar pela Europa. Momentos engraçados.

 

De volta ao hostel para jantar, quase adormecíamos a jogar Uno. Quase. Conseguimos resistir ao cansaço e levantámo-nos para ir dar uma volta à procura de um bar. Sem sucesso. Naquela zona (centro da cidade) não havia grande movimento à noite. Decidimos voltar ao hostel para descansar bem. Iria ser a primeira noite numa cama e queríamos aproveitar bem o dia seguinte. Assim foi. Fim do dia.

publicado por José Oliveira às 22:26

05.08.08

Dia 1

Meia hora após o início do dia, iniciou-se também o nosso InterRail efectivamente. Milão-Verona foi o nosso primeiro trajecto. Em Verona tínhamos de esperar cerca de quatro horas pelo comboio que nos levaria ao destino seguinte - Veneza. Aproveitámos essas horas para cozinhar e dormir um pouco. Até Veneza, sempre a dormir.

 

Image Hosted by ImageShack.us
 

Vinte minutos depois de termos chegado a Veneza fomos acordados pelos homens das limpezas. Saímos do comboio e fomos logo à procura de cacifos. Não iríamos aguentar mais um dia com a mochila às costas.

 

Deixadas as mochilas, reservado o lugar no comboio seguinte e visitado o ponto turístico, saímos da estação em direcção ao supermercado. Compras feitas e pequeno-almoço tomado, partimos à descoberta de Veneza. Grandes e pequenos canais, uma infinidade de pontes, ruas estreitas com muita côr e ruelas escuras, uma loja por cada passo dado. As inúmeras placas amarelas iam orientado o nosso caminho até à grande Praça de São Marcos. Entretanto, passamos pela agitada Ponte de Rialto e por vários pequenos mercados sempre com uma loja de gelados tentadores.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Cerca de uma hora depois de termos começado a andar, chegámos à Praça de São Marcos onde se destaca a Catedral. Demos uma volta pela praça e, quando nos preparávamos para ir visitar a Catedral, encontrámos uma fila incrivelmente extensa que acabou por nos demover de entrar. Foi pena mas era demasiado tempo em pé e ao Sol para quem já estava muito cansado. Optámos então por nos encostar um pouco.

 

Opção incorrecta. O Bernardo adormeceu, eu acompanhei-o e o Hugo ficou sozinho. Estávamos a desperdiçar o nosso tempo por má gestão do mesmo e dos sonos. Por isso, quando acordámos estivemos a falar sobre os horários e o trajecto que tínhamos planeado. Fizemo-lo também durante todo o caminho de volta para a estação. Depois de ficarem acertadas algumas mudanças ao plano inicial, fomos de novo ao supermercado e instalámo-nos num terminal abrigado e resguardado na estação. Perfeito para passar as quatro ou cinco horas que faltavam para o comboio.

 

Cozinhámos, descansámos e terminámos o nosso dia ainda no canto que tínhamos ocupado à espera da hora de partida do comboio.

publicado por José Oliveira às 16:47

04.08.08

Dia 0

A ânsia anterior ao momento do embarque foi o sentimento predominante nas primeiras horas do dia. O amanhacer aproximava-nos do momento em que a ânsia desapareceria com o início da experiência. Aproximava-nos também da dissipação de uma dúvida: Passariam no aeroporto as enormes e volumosas mochilas recheadas dos mais variados objectos? Esperávamos que sim.

 

Check-in. Sem problemas. Entrada na zona de embarque. Sem problemas também. Embarque. Primeiro contratempo. Não era possível transportar o CampinGaz. Pequeno sentimento de frustração já que esse era um dos objectos essenciais para pouparmos dinheiro em refeições e também um dos atractivos da viagem. Mas não podia haver espaço para desanimar. Era hora de entrar no avião até ao primeiro destino. Milão.

 

Image Hosted by ImageShack.us

Duas horas e algo de viagem. Aeroporto de Bergamo. Autocarro. Estação Central - Milão. Fomos tentar reservar lugar no comboio nocturno mas estava cheio. Não mudava significativamente o planeado. Apenas passávamos mais tempo em Verona onde tínhamos de mudar de comboio. Tranquilo.

 

Saímos para descobrir Milão. Primeira impressão não muito positiva: edifícios feios, pessoas com todos os aspectos menos o de italianas, ambiente aparentemente perigoso mesmo ao início da tarde. Para além da má impressão, quinze minutos passados de mochila às costas e o primeiro problema começou a aparecer - mochilas. O peso era brutal. Só iríamos parar por volta da meia-noite, por isso, iria ser complicado aguentar. Não foi um início fácil.

 

Tentando ultrapassar um início não muito positivo, fomos levados até ao centro da cidade pelo metro onde procurámos dar uma volta no centro - Duomo, Galerias, La Scala, etc. Entretanto, perguntávamos onde comprar um CampinGaz. Era mesmo necessário. Ajudaram-nos. Decathlon perto do Castelo. Mais uma caminhada sofrível até lá compensada apenas pela existência de cacifos gratuitos onde podíamos deixar as mochilas. Aproveitámos, claro.

 

Image Hosted by ImageShack.us 

 

Depois de mais uma volta e umas quantas paragens pelo centro da cidade (bem mais interessante que a parte da estação Central), fomos finalmente comprar o CampinGaz, buscar as mochilas e seguimos para o Duomo onde ficámos a comer (sentados na berma do passeio).

 

Precisávamos de esperar umas quatro horas até irmos para a estação Lambrate, por isso, optámos por ficar mesmo ali - sentados e deitados no passeio - apreciando a animação que ia havendo por ali. Quando chegou a hora, pegámos nas mochilas e fomos de metro até à estação Lambrate onde terminámos o nosso dia esperando a hora da primeira viagem de comboio.

publicado por José Oliveira às 18:17

Abril 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


pesquisar
 
preocupações arquivadas
2012:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2011:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2010:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2009:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2008:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2007:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2006:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


no Mundo

 

Alemanha

 


 

Áustria

 


 

Bélgica

 


 

Croácia

 


 

Eslovénia

 


 

Espanha

 


 

Estados Unidos da América

 


 

Finlândia

 


 

França

 


 

Hungria

 


 

Inglaterra

 


 

Itália

 


 

Mónaco

 


 

Polónia

 


 

Portugal

 


 

República Checa

 


 

Sérvia